Being Sincere Doesn’t Mean Being Rude

Or 7 tips to tell the truth without hurting people*

house

“Being sincere doesn’t mean being rude” – this is a very meaningful phrase for me. So meaningful that I thought it was my creation. But a single search on Google showed me that a lot of people are also confused about it – in Portuguese, the literal translation is seen in a lot of sources, including career blogs, Ask.fm, Yahoo Answers and even a Wikihow step-by-step.

Those who knows me (and knows my dad) knows that my harsh way of saying things has been cultivated by me since I was born, beneath the plea “I’m being sincere.” That was always attached to the thought “The world needs people who take a stand, so I’m right”. The only thing really right about this is that the world really needs people who defend their beliefs, but this never gave me the right to tell anything to anybody. Even with the best intentions. Even when sincerity is a charming trace of famous TV characters.

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“It isn’t about WHAT you say, but HOW you say it”, people use to tell me through my lifetime. Even so, only when I finally put myself in the place of others (empathy) I realized how paying attention to this advice could change my life. For real. It is very important to highlight that I still make a lot of mistakes. But the good news is that my change has already started.

So, I’m registering these tips not just to share what I had learned, but I’m also doing it to pratice my best therapy: writing.

1) Do you really need to give your opinion?
It is always healthy to analyze what you are ready to say: is it useful, necessary or asked for? Sometimes, it’s better to shut up than open fire at random.

2) Train so that you are the one who is hearing the “truth” you wanna say
How would you feel if you hear it about yourself? This becomes a more important exercise when the listener is someone you love.

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3) Respect the universe of others
How much do you know about the person to whom you are about to talk? How his/her past or present impact the way he/she acts and, especially, receives criticism or negative comments?

4) Think about a positive way to say the truth
Usually there is one. Say where a person is doing good instead of their mistakes. There are also the cases when you are just expressing yourself badly. This tip usually corrects this too.

5) Honesty is a valuable asset
Never consider being honest as a bad thing. It is a virtue. But this doesn’t mean it can’t be faceted to improve your life and that of your beloved ones.

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6) Apologize
You couldn’t follow any of these tips? And, again, were unnecessarily rude/selfish/impolite? Congratulations! At least you already admit this happens. Now, go there and apologize, come on.

7) But… The “fuck it!” moment still exists
You have done everything you can and have been very careful, but, still, the person turned on the “drama mode”? Or – WORSE – remembered that you use to be harsh to justify that they can’t accept any criticism? Maybe that’s the moment to turn your back and say “let it go!” or even shut up and do another thing. The “‘fuck it!” moment also means to go on and wait for a new opportunity to be a better person.

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*Special thanks to Ray Climie, my english teacher, for helping me with the translation. See the original in portuguese here.

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Being Sincere Doesn’t Mean Being Rude

Ser sincero não significa ser rude

Ou 7 dicas para você falar a verdade sem magoar as pessoas

house

De tão significativa para mim, achei que a frase era criação original minha. Mas bastou uma busca rápida no Google para ver que muita gente confunde as coisas – entre as diversas fontes, a dica está em blogs de carreira, Ask.fm, Yahoo Respostas e até em um passo a passo do Wikihow.

Quem me conhece (e conhece meu pai) sabe que meu jeitinho nada doce nasceu comigo e eu o cultivei durante muito tempo sob o argumento “eu sou sincera”, emendado com o pensamento “e o mundo precisa de pessoas que se posicionem, logo, estou certa”. A única parte certa disso é que o mundo realmente precisa de quem se posicione, mas isso não me dava, nem dá, o direito de falar qualquer coisa para qualquer pessoa sob quaisquer condições. Mesmo com a melhor das intenções. Mesmo com a sinceridade implacável sendo um charme para personagens famosos.

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“Não é o que se fala, mas como se fala”, muita gente me disse ao longo da vida. Porém, somente quando eu finalmente comecei a me colocar no lugar das pessoas é que percebi como prestar atenção a esse conselho poderia mudar a minha vida. Sério. Muito importante ressaltar que eu ainda erro demais. Mas a boa notícia, principalmente para mim mesma, é que a mudança já começou.

Então, estou registrando essas dicas não só para compartilhar o que tenho aprendido, mas também como parte da terapia que mais gosto de fazer: escrever.

1) Você realmente precisa dar sua opinião?
É bom sempre avaliar se o que você vai dizer é útil, necessário e (vale considerar também) solicitado. Às vezes é melhor ficar calado do que abrir fogo à toa.

2) Ensaie mentalmente que você está ouvindo a “verdade” que você quer dizer
Como você se sentiria se ouvisse isso sobre você mesmo? Esse exercício é mais importante ainda quando é alguém querido. Inclusive hoje li um texto muito legal do blog Ideias de Fim de Semana sobre se colocar no lugar do outro nos relacionamentos.

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3) Respeite o universo alheio
O quanto você sabe sobre aquela pessoa? O quanto o passado ou o presente (que também acontece longe de você) pesam no modo como ela age e, principalmente, como ela recebe críticas ou comentários negativos?

4) Pense em uma forma positiva de dizer a verdade
Geralmente tem uma. Em vez de você dizer que a pessoa é ruim em algo, diga no que ela é boa. E tem também os casos em que você simplesmente está se expressando mal. Essa dica costuma corrigir isso também.

5) Honestidade é um bem muito valioso
Jamais ache que é ruim ser honesto. É uma virtude, mas nem por isso não pode ser lapidada para deixar sua vida e a das pessoas ao seu redor melhor, especialmente as que você ama.

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6) Peça desculpas
Não conseguiu seguir nenhuma das dicas e, de novo, foi desnecessariamente rude/chato/egoísta/etc? Parabéns, pelo menos você já reconhece que isso acontece. Agora vai lá e pede desculpas, vai.

7) Mas tem aquele momento de ligar o “foda-se” também
Você fez tudo o que podia, realmente foi cuidadoso/a e, ainda assim, a pessoa fez o maior drama? Ou – PIOR – ela usou seu “passado de aspereza” para justificar a não aceitação de uma crítica (que às vezes ela mesma pediu)? Talvez seja o momento de sair à francesa com um “deixa pra lá”, ou “a gente vê isso outra hora” ou até mesmo ficar calado e deixar a coisa toda esfriar. Ligar o foda-se também é seguir em frente e tentar ser melhor em outra oportunidade.
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Mais dicas: leia esse texto (e/ou veja vídeo) sobre saúde emocional e saiba também como parar de ser tão sincero-e-rude consigo mesmo.

Ser sincero não significa ser rude

Algumas das melhores frases do #ISOJ

Susan Glasser at Editing While Disrupting

As frases abaixo são destaques que fiz a partir de parte das palestras do Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ), realizado em Austin, Texas, nos dias 16 e 17 de abril.

AUDIÊNCIA

“Se você quer ser indispensável para qualquer que seja a audiência, você precisa trabalhar duro para ela.”
Susan Glasser, Politico

“Para ganhar a confiança de nossa audiência, precisamos ajudá-la a ser relevante, a ter seu papel significativo na sociedade.”
Isaac Lee, Univision

“Nós vamos encontrar a audiência onde quer que ela esteja. Não vamos ficar acomodados esperando que ela chegue.”
Isaac Lee, Univision

>>> Veja aqui um resumo do primeiro dia do ISOJ 2015

EMPREENDEDORISMO

“Não tenha medo do futuro. Pegue o que tem disponível e dê ao mundo o que ele precisa.”
Susan Glasser, Politico

“No que você é bom? Onde estão as pessoas que adoram isso?”
Drake Martinet, Vice Media

“Colaborar, colaborar, colaborar”
Phuong Ly, IJJveja entrevista com ela

“Para ter a atenção dos investidores, você precisa fazer barulho. E alto.”
Laura Lorek, Silicon Hills News

“Não espere que alguém lhe diga que você virou um líder para fazer alguma coisa.”
Jennifer Brandel, Curious Nation

“A dificuldade é achar as pessoas certas para trabalharem com você.”
Dulce Ramos, Animal Politico

“Contrate pessoas que você admira e respeita. E dê a elas autoridade para tomar decisões.”
Isaac Lee, Univision

“Crowdsourcing e crowdfunding são possíveis no Brasil, mas não o suficiente.”
Soraia Souza, Estácio de Sá

“Você pode fazer a diferença, você pode causar impacto, então por favor faça.”
Grigory Shvedov, Caucasian Knot – veja entrevista com ele

“Aprenda com suas conquistas e perdas. Teste, experimente. Não tenha medo de falhar. Comece de novo.”
Cynthia Collins, NYT

JORNALISMO

“Nós não dizemos às pessoas que temos a verdade. Nós damos a elas recursos para que elas tomem as próprias decisões.”
Laura Zommer, Chequeado

“Nem todas as peças jornalísticas cativam a audiência, mas é muito difícil que uma matéria incrível não cative.”
Susan Glasser, Politico

“Ainda que você esteja de um dos lados, seu trabalho como jornalista é dizer a verdade a sua audiência.”
Isaac Lee, Univision

“As pessoas sempre vão precisar de matérias que liguem os pontos.”
Susan Glasser, Politico

“É com as pessoas: vocês têm a voz e nós amplificamos suas vozes.”
Grigory Shvedov, Caucasian Knot – veja entrevista com ele

“O ponto importante não é a plataforma, mas o jornalismo.”
Susan Glasser, Politico

RECURSOS E FERRAMENTAS

“Crowdfunding é um modelo de negócios, mas o descobrimos também como uma poderosa ferramenta editorial.”
Maria Ramirez, El Español veja entrevista com ela

“Na Google as pessoas podem usar boa parte do seu tempo p desenvolver projetos pessoais. Quando teremos isso nos jornais?”
Robert Picard, Reuters Institute

>>> Veja aqui um resumo do segundo dia do ISOJ 2015

“Se você acha que “caras brancos” vão produzir conteúdo sobre diversidade, você está perdido.”
Isaac Lee, Univision

“Ainda preparamos as notícias como se fosse o Século 19.”
Robert Picard, Reuters Institute


Eu participei do evento a convite do Knight Center for Journalism in Americas. Clique aqui para saber mais.

Algumas das melhores frases do #ISOJ

Destaques do segundo dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Online #ISOJ

Virtual Reality Demonstrations

O segundo e último dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Online (#ISOJ) foi muito, muito intenso e produtivo. Talvez porque era meu aniversário 😀 ou (isso sim) porque é um evento consolidado e de referência nos EUA – o Google é um dos patrocinadores e grandes veículos com Washington Post, NYT, Buzzfeed e Vice aceitam o convite do professor Rosental para debater e conversar com uma plateia diversa, em todos os sentidos.

>>> Veja aqui um resumo do primeiro dia

Os pontos que mais chamaram minha atenção mais no segundo dia foram a apresentação sobre empreendedorismo feminino no jornalismo, os projetos de realidade virtual e a garra de jornalistas que trabalham em países onde o preço liberdade de expressão pode ser a própria vida.

Fiz um post com frases, onde está em destaque a parte de empreendedorismo, com a maior parte das falas vindas das participantes. Abaixo, um vídeo com Phuong Ly, é diretora Executiva do Institute for Justice & Journalism (Canada), que diz quais os pontos mais importantes para uma mulher empreender na área.

E aqui outro com Maria Ramirez, d’El Español. Embora ela não estivesse no painel específico de empreendedorismo feminino, vale a pena o destaque porque o site atingiu 3,6 milhões de euros* (cerca de R$ 11 milhões) em recursos via crowdfunding – até pouco antes do evento, esse valor estava em 3,1 milhões de euros e já era um recorde. A entrevista com ela está no vídeo que fiz resumindo o primeiro dia.

Um painel muito interessante foi o que expôs a dificuldade de se exercer o jornalismo em países como Rússia e Paquistão. Um dos desafios é conquistar a confiança das pessoas, captar denúncias (via redes sociais, SMS e comentários no site) e filtrá-las. Na entrevista abaixo, Grigory Shevdov fala sobre como The Caucasian Knot (Rússia) lida com isso.

Fiquei muito impressionada com o Projeto Síria, tocado por Nonny de Peña, considerada a madrinha da realidade virtual. A partir de fatos e relatos, ele reconstruiu uma cena de explosão de bomba. Depois da apresentação, era possível imergir na cena, em uma sala montada com uma amostra do projeto. Usamos óculos e fones de ouvidos para poder “passear” no fato, mas sem interagir. Me emocionei.

Ainda sobre realidade virtual, tive a oportunidade de ver a palestra de uma das minhas referências, Robert Hernández, muito conhecido no Twitter pelo seu perfil @webjournalist. Tive que correr pra conseguir falar com ele dentro do elevador, graças à dica ótima de Will Sullivan, amigo de Hernández que foi meu professor no curso massivo online (MOOC) de Jornalismo Móvel.

Não deixe de ver também este vídeo apresentado lá, sobre jornalismo de dados. Para ir além de “entrevistar números” e usar bancos de dados ao seu favor**.

Eu participei do evento a convite do Knight Center for Journalism in Americas. Clique aqui para saber mais.

* correção feita em 29/04/2015, 23h46

** atualização feita em 08/05

Destaques do segundo dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Online #ISOJ

Destaques do primeiro dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Online #ISOJ

Engaging new audiences: Hispanics and millennials

Atualizado em 28/04/2015

O primeiro dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Online (#isoj) já me desafiou de duas maneiras: entender tudo em inglês e absorver o melhor do que os mais de 20 palestrantes têm a dizer. Ah! E não esquecer do networking e de aproveitar Austin! Mas minha satisfação de estar aqui é umas 10 mil vezes maior do que meu medo de não dar conta.

Vim sem laptop porque o meu deu pau e tive que sacrificar duas ou três apresentações para registrar o que pincei. Não somente para meu arquivo e fixação, mas também porque quero ajudar esse conteúdo a caminhar. Então vamos lá! Quer dizer, não deixe de ver antes o site do evento, onde é possível ver as palestras online, e o site Clases de Periodismo, que está fazendo uma ótima cobertura. Tenho postado no Twitter, onde eu acho legal você checar a hashtag #isoj. E o vídeo abaixo tem entrevistas com três dos palestrantes.

Bom, em resumo, a pauta do dia girou muito em torno da viabilidade econômica das iniciativas e de como a interação e o engajamento se transformam em credibilidade e receita. Vamos ver trechos do que anotei:

BASES
A maioria citou algo que toooodo consultor, de qualquer área, fala há anos: conheça seu público e trabalhe para ele. Essa repetição não é um clichê. É uma ferramenta poderosa que funciona – como mostrado em casos com Buzzfeed, Verve, NYT e outros. Com esse conhecimento, é preciso criar conteúdo, engajamento e relevância. Esse conhecimento pode ser usado estrategicamente junto a anunciantes. Sobre hábitos de leitura, a Quartz tem uma pesquisa interessante com executivos.

RECEITA
Diversificação de receita é algo que tem funcionado para manter redações. No Dallas Morning, por exemplo, ela veio através da criação de novos produtos, incluindo eventos, e da criação de uma unidade de negócios para fazer isso gerar receita. Outro case é o do Quartz, que faz “propaganda nativa” (como um publieditorial) de alta qualidade. E quando se fala em qualidade, se fala de relevância. Não é apenas o que a empresa quer dizer, mas o que, do que ela tem a dizer, que realmente importa para a audiência. Esse material também é colocado como uma importante fonte de receita.

No caso de organizações sem fins lucrativos, teve o interessante case so El Español, que atingiu o recorde de 3,1 milhões de euros* (atualizado desde meu último tweet). Veja entrevista de Maria Ramirez no vídeo.

INTERAÇÃO
A vice-presidente de Soluções de Negócios do Google para as Américas, Bonita Stewart, falou sobre “momentos” (interações online baseadas em necessidades cotidianas).  Ela lembrou que as pessoas vivem através deles em diversos lugares e via diversos dispositivos, a maioria mobile. “Vocês têm que aprender com esses momentos e participar deles” – veja mais no vídeo.

Ela também trouxe uns números interessantes sobre o uso de aplicativos:

  • 68% do tempo é gasto em entretenimento e jogos
  • 20% em não entretenimento
  • 14% em mobile web >>>> mas é nela que se fazem 94% dos negócios

Outro dado é que 72% dos que lêem notícias mobile o fazem pela web, não por aplicativo. A editora do Buzzfeed para Novos Aplicativos, Stacy-Marie Ishmael me prometeu uma entrevista para amanhã (veja no YouTube ou logo abaixo), mas fica um recado dela:  mobile não é apenas sobre mobilidade, mas também sobre personalização.

>>> Acesse aqui os vídeos com todas as entrevistas feitas no evento

Cynthia Collins, editora de redes sociais do NYT, falou sobre quatro pontos-chave para uma boa história ser espalhada pela audiência:

1) chame atenção,
2) conecte,
3) mostre e conte e
4) aprenda com vitórias e perdas – não tenha medo de falhar e comece de novo.

cynthia Collins at The art and science of audience development: How news organizations navigate a world where they don't control the distribution channels

PROCESSOS
Chamou minha atenção a estrutura de The Verge: a lógica do site é simples e é a mesma há quatro anos, o contrário do que ocorre das fontes de audiência: vem de mais de 10 diferentes pontos, com estratégias de divulgação diferenciadas, como gifs, aspas, vídeos, etc.

No Mashable, são mais de 60 contas  20 redes sociais para interagir com o público. Na maioria dos casos, como NYT e Verge, os próprios repórteres postam nas redes sociais diretamente. No NYT eles têm contato direto com a equipe de social media, são treinados por ela, inclusive; e quando uma história tem potencial, ela é destacada. Todos planejam suas coberturas online.

>>> Clique aqui para ler uma coletânea de frases em destaque no ISOJ

PROPÓSITO
Eu estava com altas expectativas sobre a palestra do líder global de Plataformas do Vice, Drake Martinet – além dos docs incríveis,  o Vice fez nada menos que US$ 500 milhões ano passado  – mas ele não falou muito sobre os processos. Nos entanto, ele lembrou que nada disso existe sem propósito: em que você é bom? Onde estão as pessoas que amam isso? O que é importante para você e para elas? É isso, minha gente. O site mobile do WordPress não ajudou em nada, não consigo formatar nadinha – vou ver se baixo o app dele. Até amanhã!

Eu participei do evento a convite do Knight Center for Journalism in Americas. Clique aqui para saber mais.

Destaques do primeiro dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Online #ISOJ

A rede social da rua

Fantástico esse material fotográfico feito a partir de uma lata de leite.

Webmanario

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Numa era em que se banalizou o ato de fotografar, chega a ser emocionante a iniciativa de Tatiana Altberg (o projeto Mão na Lata, que pôs jovens da comunidade da Maré, no Rio, a registrar seu cotidiano com um equipamento pra lá de rudimentar).

Ver o post original

A rede social da rua

Não sou de açúcar

cem anos de solidaoNum clima como o nosso, não dá pra sair de casa em julho e dizer que foi pego de surpresa por uma chuva torrencial. “Mas fazia uma sol de rachar quando saí”. Não, não, não. Esses meses do meio do ano são assim há séculos (?): do nada, o azul vira cinza e o que devia ser um perfeito convite à praia vira tristes alagamentos.

Mas às vezes nubla o tempo todo e quando se junta a isso umas lufadas vindas do mar, dá pra prever que vem por aí um toró daqueles. O tempo estava assim quando peguei uma carona à noite do trabalho até a Praça do Derby.

“Quero ver se chego em casa a tempo de pegar a bike e chegar no treino sem me molhar”, dizia eu a Elias, um cara que trabalha numa mesa perto da minha e que seguia pra uma peladinha no Clube Internacional, pouco depois da parada de ônibus onde eu desci pra pegar um dos “Torre” que passavam ali. “Se eu tiver que pegar chuva, que seja na volta, porque aí eu já tô indo pra casa mesmo. O máximo que eu pego é uma gripe”, continuei, querendo fazer graça, já que sou convicta que sou imune à gripe recifense: desde que cheguei aqui nunca gripei, acho que porque me alimento bem. Elias deu uma risadinha gentil, pra que eu não ficasse no “vácuo”.

Desci na Praça do Derby e pouco depois chegou meu ônibus. No caminho, enquanto observava o céu sacana ainda deu tempo de atender uma ligação importante, que acabou menos de um minuto antes de eu descer. Ainda tinha uns 400 metros antes de chegar em casa. As nuvens pesadas e ameaçadoras me lembraram que eu tinha de apressar o passo – fui o mais rápido que pude sem correr, não queria parecer uma maluca fugitiva pra quem bebia uma cervejinha no happy hour da quinta-feira num dos bares das ruas por onde passo.

Cheguei no prédio já tirando brincos e anel e procurando a chave no buraco negro da bolsa. Entrei direto pro quarto, sem dar atenção à reclamação do meu gato, troquei de roupa e lembrei da chuva: peguei outra blusa e outra calça, enrolei num saco plástico e meti na mochila. Desci apressada pro subsolo e saí em disparada na bicicleta. Menos de dois quilômetros depois finalmente cheguei na academia, recepcionada por uma garoa marota, pra quem eu sorri.

A uma hora e meia do treino correu como nas últimas vezes: intensas e sob concentração. Ao final, tomei um copo d’água e segui sem distrações pra bicicleta, temendo receber o castigo fluvial na sequência. Ainda rodei duas esquinas antes de caírem os primeiros e esparsos pingos cheios, desses que anunciam os temporais segundos antes. Não teve conversa: eu não estava nem no primeiro terço do caminho, sem minha lanterna traseira, que tinha acabado de quebrar, e ia tomar banho de chuva.

Banho de chuva…

Banho de chuva!!!

Foi quando me lembrei do meu próprio comentário: estou indo pra casa. Além do mais, se fosse de me preocupar com a roupa limpa, ela estava embalada. Fora isso, só tinha o usual dos treinos: o cartão do plano de saúde, a carteira de motorista vencida e a chave de casa. Eu podia tomar banho de chuva! E eu estava cansada e com sede. Eu podia relaxar! E relaxei como há muito não fazia. Diminuí o ritmo das pedaladas, abri a boca pra beber a água que caía e deixei aquela que massagem molhada fosse abraçada por todo o meu corpo dolorido do treino. Quando a rua esvaziou, consegui alternar entre braços abertos e olhos fechados, sem parar de pedalar, me sentindo a “nêga xibunga¹” de vovô Geraldo, menina trelosa tomando banho de chuva e simplesmente amando ter um cobertor denso e tátil de água fria, limpa e forte. Como eu ri sozinha e me senti totalmente diluída naquela água. Como estava aliviada de ter permitido aquele encontro… À medida que eu avançava na avenida, mais plenamente liquefeita eu me sentia.

Pouco depois a tempestade amiga começou a se despedir aos poucos, como quem vai dizendo vários “tchaus” com abraços e afagos. E eu ia confabulando com meu coração: “você pode não estar preparada para o mundo amanhã, mas hoje você tava para essa chuva”. Parece tudo tão bobo (pareceria se me contassem), mas foi tão maravilhosamente leve e renovador que minha alma até agora agradece por aquele momento.

 

¹Em muitos pontos do país, xibungo ou chibungo é sinônimo de homossexual passivo, mas meu avô, que é do interior do Ceará, usava com os netos no sentido de treloso, “danado”, espertinho, etc. Tem mais significados aqui: http://www.dicionarioinformal.com.br/chibungo

Não sou de açúcar